
Controle seus desejos, eles o levam a um verdadeiro labirinto, a um beco sem saída. O processo é tão profundo que esquecemos aonde fica a entrada e a saída. O labirinto se tornou tão real que agora é difícil perceber além do visível e do material, daquilo que tanto desejamos. Um desejo não realizado nos leva a uma eterna frustração e este excesso de desejos não realizados a uma verdadeira depressão.
Por outro lado, aqueles que conseguem realizar os seus desejos entram em um estado de ansiedade, porque nada sacia a alma, nada material satisfaz por tanto tempo. A condição perene da materialidade é destruída a cada minuto e o tempo é impiedoso, ele age entropicamente destruindo tudo que é concreto. Quando o que foi conquistado perde o significado, logo estamos procurando outras coisas, alimentando outro desejo.
O desejo é a base do ego e o ego deriva dos nossos pensamentos. A nossa mente não cria os pensamentos, ela apenas interpreta sensações do corpo, logo, o corpo é um escravo da mente e a mente é o operador dos desejos. Quando só se ouve o corpo, alimentamos cada vez mais o nosso próprio ego e fazemos com que nossa mente se sinta empoderada com relação às nossas decisões. Estamos constantemente reverberando nossa energia interna, projetando ela para o mundo externo – que não existe, mas que para nós é real – então, surge o fascínio pela conquista de algo.
A mente interpreta esses sinais como se fossem a nossa própria vontade. Em essência, a mente não é má, nem boa; é apenas um objeto que ressoa todos os nossos desejos e nos traz como se fossem pensamentos. Ela busca nossa satisfação, mas ela mesma não sabe que isso é temporário, e não precisa saber, só precisa reverberar. Tudo o que fazemos neste estado não é tão benéfico e, claro, é apenas uma satisfação momentânea.
O corpo é uma verdadeira máquina que não para, ele trabalha 24 horas por dia; na vigília está projetando seus desejos em objetos materiais, realizações e conquistas mundanas e, durante o sono, extravasa os desejos reprimidos – o sexo, violência, a maledicência – todos esses desejos reprimidos que não podemos colocá-los para fora durante a vigília, pois estamos limitados pela barreira do medo e da sensação de culpa.
Então, procuramos, durante a vigília, realizar aqueles desejos que possivelmente não causam tanto malefício; e, à noite, extravasamos nossos instintos mais cruéis, acreditando que, ali, fora dos holofotes do mundo externo e da vigília, longe da vista dos outros, não seremos punidos, não seremos repreendidos. Este é o estado da mente que só acredita na materialidade.
Com o tempo, a pessoa desperta um pouco, na verdade ela começa a entrar em um conflito; o conflito mente x consciência. Ao mesmo tempo, continua mantendo os seus desejos e reserva alguns minutos do dia para conversar com a sua própria consciência. É como ir em um confessionário, bastam 15 minutos e estamos absolvidos para voltar a ter os nossos desejos. Não importa quão pequenos ou quão grandes eles sejam, todos só têm a intenção de nos levar a um labirinto, onde a mente se realiza, mas a consciência se perde.
Ansiedade e depressão
Quando estamos olhando com os olhos do ego, este labirinto é um verdadeiro palácio; é um local onde todas as nossas aspirações estão concentradas. É o mundo das conquistas materiais, das realizações da vida, da externalização dos sonhos, mas, nesta alternância, entram a ansiedade e a depressão.
Ao constatarmos a vulnerabilidade e a liquidez deste mundo concreto, que volta e meia se dissolve à nossa frente, percebemos que existe algo mais, algo além deste labirinto. Então, começamos a enxergar com os olhos da consciência e vemos, enfim, nossos corpos presos neste labirinto, como ratos num laboratório.
Esses ratos já perderam a vontade de sair do labirinto porque, durante o processo, foram alimentados com seus próprios desejos. É como se colocássemos grãos de açúcar em cada canto do labirinto — e eles não se preocupam mais em sair dali, apenas em achar o açúcar. Entretanto, toda vez que realizam esse desejo, quando saciam essa vontade, veem-se vazios. No entanto, em vez de procurarem a saída, continuam na busca pelo açúcar. Esse açúcar é o símbolo dos vícios que alimentamos; nós alimentamos os vícios, mas eles não nos alimentam.
Sem saída
Então vem o momento em que você diz: basta! Porque você não vê a saída e não aguenta mais ficar neste pêndulo. Dentro do labirinto, a visão que temos é de escassez, acreditamos que não há torrão de açúcar para todos, somente para aqueles que chegarem primeiro. Os espertos se sobressaem neste mundo: a velhacaria, a traição, todos os artifícios – e louvamos aqueles que fazem isso, mesmo que de forma inconsciente, porque estão sempre realizando seus desejos.
Nós os tomamos como exemplos; eles representam, para nós, um espírito de abundância. Nós os vemos como seres inteligentes, diferenciados, com garra, vontade, determinação. Mas estão apenas usando a esperteza, aplicando as regras do mundo material a seu favor – e nós estamos correndo atrás da satisfação dos desejos. Então, aquela pessoa dentro do labirinto percebe que, por mais que tenha algumas conquistas neste terreno da materialidade, nunca está satisfeita.
Ela nunca se sente realizada; pelo contrário, percebe que sempre há a necessidade de mais. É quando começa a fazer as perguntas – mas percebe que elas não têm resposta, porque as respostas não estão fora: estão dentro. Quando ela se interioriza, descobre que aquilo é tão efêmero que não faz sentido ficar correndo atrás da sombra, então, ela chama pela sua consciência.
Chamando a consciência
Toda vez que chamamos pela nossa consciência, ela se manifesta – mas o que ela tem para nos dizer não é o que queremos ouvir, porque a consciência não atende a desejos, pois tenta trazer uma verdade, uma realidade mais pura.
A consciência lhe diz que você precisa controlar os seus desejos, dominar seu ego e não ser mais escravo do seu próprio corpo e da sua mente. Ela repousa sobre a sua cabeça com uma energia neutra, trazendo muita sabedoria e clareza, mas muitos relutam em ouvi-la porque ela não está aqui para satisfazer seus desejos.
Ela não vai lhe impor nada. É difícil trabalhar com a consciência, pois ela não traz certezas nem dogmas, não implanta crenças, nem lhe diz o que você deve ou não fazer. Simplesmente, ela flutua sobre o labirinto e tem a visão do seu estado de prisão: a sua prisão mental. Ela vê como você cede a tudo isso, mas sinaliza o caminho e lhe diz que é a sua mente que está projetando toda essa realidade externa.
Ela lhe diz que a sua mente é o verdadeiro simulador, que opera 24 horas por dia, e que, enquanto você não expandir o seu campo vibracional, estará à mercê dela; estará dentro dos limites da mente.
A consciência é como um conselheiro, como alguém que está fora do jogo observando tudo que se passa e lhe trazendo os melhores conselhos, para que você consiga criar uma realidade melhor. Você não está apartado dela, ela pulsa dentro de você, mas, como eu disse, ela não pode falar o que você deve fazer, só pode mostrar o caminho.
Então, ela lhe manda flashes atemporais de outras realidades que, na verdade, são outras possibilidades futuras. Entretanto, você precisa estar na presença, precisa estar consciente para perceber esses flashes. Eles são como verdadeiros clarões — é como se, em um instante, você conseguisse ver tudo à sua volta. Mas isso é tão rápido que a sua própria mente impede que você perceba.
Esse clarão ressoa em você de forma contrária aos seus desejos, e a sua mente interpreta isso como uma resistência. Ela se vê como uma resistência – um verdadeiro resistor em um circuito elétrico — e limita essa luz, porque acredita que, se você a receber por completo, entrará em curto. Mas isso não é verdade.
A mente tem todo esse poder porque está integrada ao seu corpo; os desejos vêm do corpo e alimentam o ego, sendo o corpo um escravo da mente. Este é um circuito fechado. Mas, então, você descobre que há um interruptor que abre o circuito, que propicia o aumento dessa voltagem, dessa luz – e que nada de mal lhe acontecerá ao fazer isso. Sim, partes suas serão perdidas, mas essas partes não eram você; eram apenas os personagens que você estava interpretando neste mundo da materialidade, com a intenção de atingir objetivos motivados pelos desejos.
Então, a consciência te despe, te deixa totalmente nu. E, quando você está nu, amparado pela sua consciência, revela o seu corpo de luz – e ele não tem desejos; tem apenas uma forte vocação para te tirar deste estado de inércia, deste estado de dormência, desta hipnose coletiva. A consciência vai mais fundo e diz: não terceirize nada, não entregue o seu poder, não se sinta menos do que você realmente é. Você não é o corpo, nem a mente; você é a consciência.
A consciência tem camadas: ela pode ser o seu espírito, o seu corpo de luz, pode ser o seu corpo arco-íris, pode ser o seu Eu Sou – não importa. Você só precisa acreditar que a única coisa que permanece depois dessa passagem tão curta pela Terra é a sua consciência. O corpo volta ao pó, as conquistas se desfazem, as heranças viram motivos de guerra; porque outras pessoas precisam continuar sustentando essa ilusão para gerar energia, para alimentar criaturas infernais desprovidas de alma e de qualquer tipo de sentimento – a não ser o de dominação, sobrevivência e controle.
Esses seres estão sempre projetando sobre a Terra todo esse fluxo de dominação na forma de crenças e dogmas: os dogmas da família, da religião, da política e das guerras, da supremacia de uns perante outros, da dualidade, da desigualdade, da necessidade da manutenção deste sistema. Isso porque, se todos forem ricos, ninguém será rico; se todos forem pobres, ninguém será pobre.
Quando tudo se nivela em um único paradigma, nada mais faz sentido. Então, eles fazem a manutenção dessa dualidade e condicionam vocês a acreditarem que, para existirem os ricos, devem existir os pobres; para existir a paz, deve existir a guerra; para se ter algo, deve haver a conquista. Eles nunca falam de compartilhamento, de ser contribuição, de ver no outro a si mesmo. Não – o outro é o inimigo, o outro é o infiel, é o herege, é o proscrito, o bandido; e todos estão espreitando à sua volta, prontos para lhe tomar aquilo que você acredita ser seu.
Então, de certa forma, você sustenta esse sistema apenas projetando o medo: o medo de ser morto, de ser roubado, de ser atacado, ferido, xingado, maltratado, de ser humilhado, de ser passado para trás. Infinitos medos.
O medo é resultado da ignorância, da falta de conhecimento – mas é a falta do conhecimento de si mesmo, do que você é e do que representa neste universo. Pela magnitude do universo, vocês são grãos de areia, mas, da perspectiva de vocês, acham que são grandes seres: o centro do universo, o umbigo do mundo. Esse é o paradoxo da materialidade: vocês são ínfimos átomos, mas, no espiritual, são seres grandiosos e infinitos. Como lidar com isso?
Se você inverter essa equação, vai acreditar que aqui você é grandioso, precisa conquistar tudo e que espiritualidade é uma coisa ínfima. Não estamos falando de religiões, por favor, parem com isso.
Destino
O destino só existe para os ignorantes. Para aqueles que estão inconscientes, existe o destino: nascer, crescer, realizar, morrer, voltar a dormir até a vinda do salvador e depois ressurgir no paraíso. Qual o sentido disso?
Sempre se vende o sonho de que, se você trabalhar muito, se esforçar muito aqui, irá para um lugar de repouso – para o repouso eterno. Mas o que repousa eternamente no universo? Nada. Tudo está em constante movimento e vibração. Quando o movimento cessa, cessa a vida, cessa a própria razão da existência.
É uma questão de lógica. Veja: se, aqui na Terra, quem fica parado sucumbe, por que seria diferente em outras dimensões, em outros reinos?
Só existe vida no movimento; só existe movimento na consciência; só existe consciência na busca.
Voltar à Fonte
Mas, então, você já se livrou de tudo isso e agora busca o retorno à Fonte. Quando retornar à Fonte, entrará em um estado primordial de inércia e será reaproveitado para a construção de outros universos, planetas, estrelas – outras realidades. Essa também é uma forma de existência. Mas, por enquanto, não estão nesse ponto: a individualidade ainda está muito arraigada na mente de vocês.
Não tem problema, amanhã, como dizem, será um novo dia. Mas essa realidade não existe amanhã, o amanhã só existe em dimensões onde a velocidade de processamento e de expansão é 10 vezes superior à velocidade da luz de vocês. Para eles existe o amanhã, mas para vocês só existe o agora. Então, você tem que pensar muito bem onde repousa a sua consciência, se é no futuro do qual você não faz parte, se é num passado onde você não existe mais ou se é no presente.
Livre-arbítrio
Por que falamos que não existe o livre-arbítrio como vocês o definem? Porque se você está atrelado aos desejos, está respondendo somente a impulsos do corpo, então você não está escolhendo, está apenas satisfazendo desejos. Se você se livra dos desejos e começa a entrar para um pensamento mais abrangente do cosmos e da consciência mais superior que existe, você também não está escolhendo. Mas, pelo menos aqui, neste outro processo, você está deixando que a sua consciência decida criar o melhor futuro para você e isso também não é escolha.
O melhor futuro para você é a clareza na realização da sua programação pré-definida, que, se você estiver consciente, não é destino; é realização. Essa é a diferença, ela é muito tênue. Muitos espiritualistas desistem no caminho porque percebem que começam a ficar sem escolhas. Há, como dizem, um processo de antecipação, e se existe um processo de antecipação não é você quem está escolhendo.
É justamente aí que está o engano: essa antecipação do seu eu superior está de acordo com a programação que você definiu e, pela lógica, quer cumpri-la. Entretanto, aqui, você está de olhos vendados, dentro do labirinto, sem achar a saída. Mas seu eu superior está vendo de fora, então se antecipa e lhe traz a informação.
Ele está um passo à sua frente simplesmente porque está vibrando em outra velocidade. Mas ele não está realizando os desejos dele – está lhe trazendo clareza sobre a programação que você escolheu quando estava naquela dimensão, ou naquela instância, ou naquele lugar, ou naquele não tempo; se preparando para entrar no tempo. Então, isso é um trabalho conjunto.
Saiba que você não é obrigado a acreditar em nada disso. No entanto, aqueles que permanecem inconscientes se mantém na ignorância a respeito do conhecimento básico sobre quem é o eu superior. Por isso, não elevam sua frequência e acreditam no destino. Para eles, não há escolha, não importa o que façam, o resultado será sempre o mesmo.
Gerando assertividade
É um looping temporal, mas quando você faz o trabalho proposto, começa a acelerar a sua vibração e tudo vai ficando em câmera lenta. Quanto mais você acelera, mais as coisas ficam lentas e isso te proporciona uma maior assertividade nas suas escolhas. O que está se antecipando para te passar a informação? É você mesmo.
Este processo foi estabelecido para compensar a regra do esquecimento que foi implantada. Para todo veneno existe o antídoto.
No estado da matéria, contam-se as horas; no estado da consciência, contam-se os ciclos. No estado da matéria, tudo se dissolve; no estado da consciência, tudo se mantém. No estado da matéria, a luz vem de fora – vem do sol; no estado da consciência o ser é o próprio sol, a luz vem de dentro. Por isso vocês veem corpos de luz em seres que vocês consideram que estão em outras dimensões mais elevadas.
Para ele, não existe escuridão, porque, aonde ele vai, irradia luz. É por isso que ele entra no vale das sombras sem medo: o conhecimento interno jorra, reverbera e tudo se torna claro para ele. Ele já não sente a dualidade, já não sente o próprio tempo. Este estado de consciência não é uma elucubração mental, é algo mais real do que a experiência que vocês têm aqui. É um estado possível de experimentar e ser vivido – mesmo em outras realidades – não necessariamente na dimensão do seu eu superior. Mas exige consciência, presença, exige um sentimento de ser, não o desejo de querer ser.
Não é uma busca, é uma realização. Você pode realizar esta consciência aqui mesmo, vendo tudo como parte de uma coisa só, vendo tudo como parte da criação. Neste estado, o bem e o mal se dissolvem. O único dilema da humanidade é conseguir se manter neste estado e você faz isso controlando seus desejos.
Você não deseja, você é. Você não espera nada, você já alcançou. Mas, mesmo tendo alcançado, não descansa: mantém-se em movimento. Você nunca conquistará tudo, mas tudo já está dentro de você.
Isso não é para tentar entender; é um ensinamento para se viver. Quando você começa a manifestar esse estado, você já é; e, quando acredita que é, nada pode lhe dizer o contrário; nem mesmo a sua mente, porque ela é apenas uma ferramenta sua aqui, que será desligada com o corpo.
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