Forma e não-forma

Forma e não-forma

A forma é resultado do encontro entre luz e sombra, criando um terceiro estado da matéria perceptível pelos sentidos da visão, mas este terceiro estado é irreal, é apenas uma ressonância da dualidade luz e sombra, certo e errado, bem e mal.

Do outro lado, só existe um estado da consciência, que é um estado puro de energia unificada: luz. Por ser um mundo da não-forma, não há dependência da sombra, pois não há necessidade da criação de elementos, seres e objetos para que possam ser perceptíveis, após um conflito de energias antagônicas. Não, é um campo de luz, os locais habitáveis neste outro universo independem dos sóis, tudo é um estado harmônico de luz em constante expansão.

Mas, do outro lado, fomos colocados num estado alterado de consciência para, de certa forma, podermos criar este terceiro elemento, resultado da dualidade luz e sombra. Este terceiro elemento é efêmero, ele não subsiste quando sobre ele lançamos nossa consciência, ele se dissolve. Assim como foi criado, ele é descriado, pois no mundo da forma todos os símbolos, objetos e seres são passageiros, pois, no fundo, todos são um reflexo da dualidade luz e sombra. Este constante embate de polaridades antagônicas, que no universo incriado não existe, é a forma como se encontrou para que experienciassem uma minicriação.

Este estado alterado de consciência se dissolve apenas quando entendemos e absorvemos a compreensão do nada. Quando conseguimos entrar neste estado, neste vazio, percebemos que as formas não se mantém, o que subsiste é apenas um vácuo, um nada, um constante potencial, uma potencialidade de criação da forma deste terceiro elemento.

O que se percebe como um objeto, uma forma, um símbolo ou um ser, nada mais é do que uma projeção, sendo a complexidade deste terceiro elemento atrelada ao nível de consciência e ao potencial de criação. A criatividade é proporcional ao potencial criador dessas formas inimagináveis e infinitas, mas efêmeras na sua essência.

Nada do que aqui é criado como forma, permanece no universo da não-forma, pois no universo da não-forma, onde não há dualidade, só existe um campo harmônico de luz e toda criação é apenas uma expressão dessa luz, uma energia vibrante, num campo harmônico.

Neste sentido, na matéria nos encontramos em um campo desarmônico, impulsionado pelo conflito luz e sombra, negativo e positivo; é sempre essa dualidade criando o terceiro elemento, que é a matéria que percebemos, sendo uma ilusão.

Quando se atinge o estado em que se percebe a existência do nada, permite-se à consciência experimentar o todo, e o todo é este campo harmônico de pura luz e energia harmônica, que insistimos em não admitir, pois não compreendemos ainda a unicidade da energia. Ou seja, não compreendemos o universo da não-forma do incriado, mas ele persiste no estado latente de harmonia e vibração constante, sem energias antagônicas.

Podemos dizer que a diferença é que no universo incriado não temos atrito e no universo criado tudo está em atrito, formando o terceiro elemento, que é a matéria que percebemos, sentimos. Ela é tão fugaz e passageira que cada um tem uma percepção e um ponto de vista diferente, porque cada um está em um momento de dualidade diverso do outro. Sempre a sua criação é mais real do que a do outro, mas é apenas um jogo de luz e sombra, um eterno jogo de contrastes refletido na matéria que sentimos e percebemos.

Então, o que nos ensinam, na verdade, é o contrário; estando na matéria é que nos encontramos em um estado alterado de consciência, porque o verdadeiro estado de consciência reside no campo harmônico do incriado.

Neste ponto, nós somos um substrato, um reflexo desta energia harmônica, dividido e separado em masculino e feminino, forte e fraco, positivo e negativo, luz e sombra.

Quando ocorre a reintegração? É quando percebemos que somos parte tanto desta luz quanto desta sombra, e que este terceiro elemento, que são os símbolos, os seres, os objetos são apenas uma projeção da nossa consciência no estado da matéria e da dualidade, tão impermanente e passageiro quanto uma respiração. Até a nossa própria existência é um campo de dualidade, quando respiramos, quando inalamos e quando soltamos o ar, estamos realizando um processo dual.

O que realmente existe? O que persiste? Qual forma subsiste? É aquela quando prendemos a respiração ou é aquela quando expiramos? Na verdade nenhuma das duas e, ao mesmo tempo, as duas, mas nós não percebemos isto como algo único, mas sim como algo conflitante. Então, vivemos a interação dos opostos, nos colocamos no centro desta interação e vamos criando tudo a nossa volta, como uma holografia deste conflito, deste embate.

Por que isso acontece? É porque estamos sempre buscando o equilíbrio. O que para nós na materialidade se torna o caminho do meio, no universo incriado é o próprio meio. O que para nós só existe através da desarmonia dos campos, no universo incriado é a própria existência harmônica.

Então, sim, vivemos num estado alterado de consciência, sempre procurando formas e estruturas às quais possamos nos apegar para justificar a nossa própria existência, mas no universo incriado não há estrutura, não há uma forma hierárquica de energia, todas as hierarquias estão dentro. Todas as hierarquias são criadas através de um embate entre luz e sombra.

Para sair deste estado alterado de consciência, é preciso abraçar o vazio e o nada. Ao contrário do que ensinam, é na materialidade que o nada existe e persiste, como um potencial latente, nos mostrando a todo momento que tudo a nossa volta é passageiro. A única coisa que subsiste é a nossa própria consciência, que está sempre procurando um campo harmônico para ancorar este fluxo de energia.

O que temos que perceber é que todas as formas, objetos e seres são derivações de criações mentais. A única forma que a nossa mente consegue entender este universo criado é jogando o jogo da dualidade, é jogando o jogo da luz e sombra.

O que temos que perceber é que essas duas energias são uma só e a mesma coisa, mas que no nosso universo criado estão separadas em polaridades opostas, mas interligadas em essência no ponto zero, onde não há conflito e dualidade. Dentro do próprio universo criado, há uma parcela do universo incriado que pode ser experimentada; é esta porção do nada, do vazio, da não existência, da não-forma, da ausência de símbolos.

Compreendendo isso, permitimos a nossa consciência que ela possa experimentar a totalidade da criação. O problema é, como manter este estado de consciência?

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1 comentário em “Forma e não-forma”

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