Energia da abundância

Energia da abundância

Normalmente, as pessoas acham que, para se darem bem no mundo da matéria, precisam negar o lado espiritual e, estando no lado espiritual, acreditam que precisam negar o lado da matéria. Mas isso é uma crença implantada: a de que você precisa ser humilde, bonzinho, ajudar os outros.

A questão é muito mais profunda: a pessoa tem a crença de que, quando está lidando com o mundo espiritual, não pode falar de dinheiro – ela vê isso como um tabu. Ela vê o materialista como uma pessoa sem alma, ou, quando tem alma, é uma pessoa fraca de espírito.

Por outro lado, quando alguém está trabalhando na matéria, vê o espiritualista como um bobo, um sonhador, um utópico que fica apenas sentado meditando, resolvendo questões metafísicas. Não entra na percepção dela a questão de ver uma pessoa espiritualista bem-sucedida financeiramente. Mas isso tudo é a negação.

Negação

Quando qualquer pessoa entra neste estado de negação, está dizendo para o universo que não aceita que seja possível trabalhar na ampliação da consciência e ter o seu lado financeiro caminhando junto. Ela entra no estado de negação, onde acredita que uma coisa exclui a outra.

Ao entrar no estado de negação, está vivendo na dualidade. Ou ela vai para o mundo material, ou vai para o mundo espiritual. Ela acredita que se for para o mundo material, comprometerá seu mundo espiritual; se for para o mundo espiritual comprometerá a sua abundância.

Isto se torna uma luta interna onde a pessoa gasta muita energia pensando que são lados opostos. Ela imagina que quando se esforça para ganhar dinheiro, está fazendo algo errado; quando cobra por um atendimento, igualmente não está certo.

Em sua crença, o espiritual tem que ser uma eterna doação, e o material um eterno acúmulo. Isto acontece porque ela não vê as coisas como energia. A solução está em sair deste estado de negação e começar a trabalhar com uma consciência de troca, pois tudo é energia.

Quando alguém adquire conhecimento espiritual e acredita que deva passá-lo adiante, não há problema algum, mas tem que cobrar por isso e estabelecer uma troca energética. Da mesma forma, quando se está no mundo material e sente a necessidade em ajudar os outros financeiramente, pode-se fazer isso, mas igualmente tem que ser na base de uma troca.

As pessoas bem-sucedidas no mundo material não vivem de doações, vivem de trocas. Elas sempre trabalharão na base da troca. Elas ajudarão sim outras pessoas, mas exigirá algo em troca, provavelmente oferecerá um trabalho, mas não dará esmola.

Quando Bill Gates doa 100 milhões para o hospital do câncer dos EUA, ele só está fazendo isso porque depois abate no imposto de renda. É uma troca. Ele simplesmente não doa por doar.

As pessoas precisam começar a trabalhar no sistema de trocas e não no sistema de negação.

O ego

Outro problema que derruba as pessoas é o ego. O espiritualista acredita que precisa se tornar um guru, desapegado de tudo para ser um exemplo. Desapegado inclusive do dinheiro, do material. Mas isso é uma ilusão.

O materialista pensa que não pode se preocupar muito com o mundo espiritual, porque precisa trabalhar o tempo inteiro para acumular sua riqueza – bens, posses, viagens. Mas isso tudo é uma ilusão, porque, quando se está neste estado da negação, o materialista, ao terminar o seu processo aqui, não levará nada disso com ele. Alguns poderão dizer: ele teve uma vida boa. Quem disse que a vida acaba neste momento?

Ter e ser

O materialista alimenta seu ego no sentido do ter e o espiritualista alimenta seu ego no sentido do ser, entretanto, ser e ter fazem parte do mesmo processo. Ter saúde, significa ser uma pessoa saudável; ter dinheiro, significa ser uma pessoa próspera. Uma condição não exclui a outra, ao contrário, elas são complementos.

Os opostos se complementam, não se repelem.

Os grandes exemplos de espiritualistas, aqui no nosso planeta, não tinham nada; eram humildes, sem posses, viviam em situação de escassez material. Isso gerou uma falsa crença, alimentada pelo próprio sistema e utilizada pelas religiões e doutrinas. Porque, de certa forma, para você se tornar um espiritualista, nestes padrões do sistema, não pode ter dinheiro, posses, nada material e, no fundo, acaba se tornando dependente da religião e doutrina que você abraçou. Ela será a sua base e tudo o que você fará, será justificado por este sistema de crença.

“Os céus é o reino dos pobres, dos oprimidos, dos fracos”, mas se eu te disser que no “céu” não existe nada disso? Os que estão lá são os fortes, guerreiros e vencedores. Que céu é este da pobreza? O “céu”, como vocês entendem, é o reino da abundância, não da miséria, da falta de conhecimento, da falta da saúde, da falta disso e daquilo. Isso é escassez.

Este conceitos fazem parte do sistema e ele te empurra para a dualidade. Se você quiser fazer parte do sistema como espiritualista, não pode possuir nada; se você quiser fazer parte do sistema como materialista, tem que ser cada vez mais egoísta, maquiavélico e acreditar que os fins justificam os meios.

O sistema dissemina que toda forma de ganhar dinheiro é uma forma viável, independente do que isso possa trazer para as outras pessoas. Não é uma visão integralista, é uma visão individualista. Ensinam que, se você seguir este caminho e, eventualmente, fizer algumas doações, estará salvo.

Ainda hoje impera esta ideia de que você pode comprar um pedacinho do céu. Mas, para que você precisa comprar um pedaço de algo que já é seu?

Como agir

Primeiramente você precisa resolver essa questão da negação. Toda vez que você entra no estado de negação fecha a comunicação com o universo, pois ele transborda abundância, tanto a espiritual quanto a material. Então, você tem que abandonar este estado de negação e parar de ver as coisas como opostas. O material e o imaterial são faces da mesma moeda e você não consegue ter somente parte da moeda.

O grande equívoco é achar que devemos focar em apenas um lado. O segredo é: nada pode ser tão relevante que te obrigue a abandonar algo. O espiritual é importante, assim como o material, pois você vive no meio material. Não se pode negar isso.

Em que pese a manifestação iniciar no campo espiritual, descer para o campo mental, ela só se manifesta na materialidade quando a pessoa tem meios e recursos. Pense bem, normalmente, a pessoa quer ajudar os outros mas não tem dinheiro nem para si mesma.

Imagine que esta pessoa tenha um grande potencial como médico e sonha em construir um centro para atender os outros, com valores mais baixos ou de forma gratuita, como ela fará isso? Apenas mentalizando? Não, ela precisa manifestar, e para isso é necessária a energia da troca.

Ela precisará do dinheiro para a construção deste hospital e, de alguma forma, deverá haver uma troca, nada pode ser de graça. Mesmo as entidades filantrópicas recebem benefícios do governo, como redução tarifária e isenção de impostos. Toda entidade filantrópica bem-sucedida tem por trás um hospital particular. Aquelas entidades que são somente filantrópicas fecham.

Criando a fundação

Primeiro você cria a sua fundação que é a sua base de sustentação na materialidade. Isso não impede que você também construa o seu processo de espiritualidade. Como você faz isso?

Você busca a energia do dinheiro, não para satisfação do seu ego pessoal, não para o acúmulo de bens ou para ter roupas melhores, mas para ser o suporte do seu trabalho espiritual. Seja para escrever um livro – que não é de graça; a editora nunca publicará seu livro de graça, ela cobrará, e será caro –, seja para construir um centro de atendimento, um centro de estudos, uma biblioteca espiritualista, não há manifestação na matéria sem a energia do dinheiro. Mas sem tornar isso tão relevante, pois você sabe que precisa deste recurso aqui de forma temporária, sendo o que ficará no final – o seu legado –, será essa junção do material com o imaterial.

A grande confusão é a pessoa acreditar e tornar o dinheiro algo maior do que ela, transformando-o na sua razão de viver. Então, pode-se dizer que quando tirarem o dinheiro desta pessoa, ela não será nada mais do que sempre foi: um vazio. Mas, para aquele que trabalha ao mesmo tempo as duas partes das polaridades – que parecem antagônicas, mas se complementam – quando lhe faltar o dinheiro, ele recorrerá a espiritualidade, e quando lhe faltar a espiritualidade, recorrerá à manifestação.

Fazendo isso, ele vai equilibrando a balança e quando lhe tirarem todo o dinheiro, não sentirá falta, pois é uma pessoa realizada, porque nunca deu relevância a tudo que ele construiu. Quando a espiritualidade se fechar para ele, saberá que é hora de se movimentar, criar e manifestar algo diferente. É assim que funciona.

Você tem que ser essa pessoa que se desenvolve em ambos os lados; a que sabe lidar com a energia do dinheiro, e sabe lidar com a energia da espiritualidade; sem negar nem um, nem outro. É manifestar a consciência do ser, saber, perceber e receber.

Buda

O Buda histórico era um ser que encarnou em uma família rica, mas quando saiu do palácio e viu toda aquela miséria, percebeu que algo estava errado. Ele abandonou tudo para ir para as ruas e começou a acreditar que aquele luxo, toda aquela riqueza era uma distorção do sistema e que, na verdade, poderíamos alcançar o auge espiritual sendo um asceta.

Então, foi viver totalmente sem nada; dispensou as roupas, os calçados, dispensou tudo e sobrevivia comento excrementos de galinha. Ele foi de um oposto ao outro.

Inicialmente, negou toda energia do dinheiro e abraçou completamente a energia da escassez, mas percebeu que isso não estava certo. Afinal, queria levar aqueles ensinamentos a outras pessoas – e só conseguiria se tivesse condições de manifestar isso, o que apenas seria possível ao trabalhar com a energia do dinheiro, sem se envolver com ela de forma egoísta.

Então, ele retrocedeu e viu que o sofrimento, a miséria e a escassez não são sinais de evolução espiritual, nem de desapego; é simplesmente um indício de que a pessoa está entendendo de forma errada o sistema de dualidade.

As pessoas acreditam que por ser um sistema dual, ou elas são “sim” ou “não”, mas isso só serve para as máquinas. O humano não pode se ver como um ser binário, tem que se ver como um ser quântico e, dessa forma, se sobrepor ao 1 e 0. Para ele, é a lei da sobreposição que deve ser utilizada; dessa forma, ele consegue lidar tanto com a energia do dinheiro quanto com a energia da espiritualidade, sem nunca negar nada, pois o universo não trabalha com a negação.

Depois de ter experimentado as duas polaridades, Buda teve um insight, foi quando disse que o sucesso estava atrelado ao caminho do meio. O caminho do meio não é ser neutro, é lidar com as duas energias – a espiritual e a material – sem ser preso pelas armadilhas do mundo material e as seduções que ele traz, nem inflar o seu ego achando que se tornou um guru universal, um curador, um mestre.

Ele percebeu que devia se tornar mestre de si mesmo, por isso, não fundou nenhuma religião, não criou o budismo, que veio depois. Pegaram seus ensinamentos e transformaram em uma doutrina limitante.

Então, quando você pensa neste ensinamento, buscando o equilíbrio na sua própria vida, não está seguindo o budismo, e sim Buda. Alguns gostam de dizer que o pássaro não voa somente com uma asa, e estão certos, pois você precisa ter a asa da espiritualidade e a asa da materialidade.

Alguns dirão que isso é uma contradição, que conseguem sobreviver apenas com a espiritualidade. Ao chegarem no mundo espiritual, veremos se conseguirão se manter apenas com a espiritualidade. A primeira coisa que farão será colocá-los para trabalhar. Ou você acha que ficam sentados nas nuvens tocando arpa com os anjos?

São todas historinhas, fantasias, enganação. O trabalho nunca termina, e se você o começa aqui, ele terá uma continuidade natural quando você passar para o lado de lá.

Entretanto, nós gostamos de romantizar tudo: aqui é um sofrimento, lá é o paraíso. Aqui tudo é feio, lá tudo é belo. Aqui a gente precisa trabalhar até o dia da morte, lá vamos descansar eternamente.

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