Às vezes, o caminho que a gente trilha exige um retrocesso. As consciências ditas superiores pedem um comprometimento, mas não é um comprometimento com elas, é um comprometimento consigo mesmo. Porque você pode mentir para o universo, mas não pode mentir para si mesmo. E insistir em avançar nestas condições é um erro.
Há momentos em que, como vemos nas batalhas, é preciso um toque de retirada para reorganizar nossos pensamentos. A maldade e a escuridão não estão a nossa volta, estão dentro. Omitir este processo é o mesmo que se RECUSAR A EVOLUIR.
Quantas vezes insistimos em ir para frente, buscar informações, buscar conhecimento, quando muito do que já adquirimos não foi devidamente processado, simplesmente está acumulado, sem ter sido digerido. O próprio corpo manifesta a realidade do seu momento, dá sinais de excessos e esgotamento, por mais que a mente queira ignorar, mas ela é escrava do corpo. Os excessos devem ser evitados e o esgotamento deve ser preenchido, mas nunca com o que está lá fora, é com aquilo que já se tem.
Hoje fui convidado a mergulhar em mim mesmo e quando fiz isso não gostei do resultado, caí numa escuridão profunda, num vazio dimensional muito maior do que minha própria alma, poderia dizer insuportável. Um vazio intransponível.
Mas então, dentro deste espaço vazio, minha própria consciência manifestou e disse “agora somos só nós dois”. Neste espaço não entram os mestres, os guias e os mentores. Este espaço é um espaço privado, é onde se conversa com a própria consciência, porque, mais que ninguém, ela conhece todos os cantos da nossa alma.
Não tem como enganá-la, não existem subterfúgios, também não é um campo onde impera a racionalidade total, ela joga em você um fluxo de emoções, como que dizendo “aprenda a sentir isso, não rejeite o que o universo está lhe dando, apenas observe, absorva e compreenda. Não procure dar um novo passo sem ter antes sedimentado o passo anterior, não se iluda”.
Por que este é um espaço privado? Porque diz respeito somente a você e a sua consciência, mais nada. Ninguém pode lhe dizer o que é certo, errado, para onde ir, aonde não entrar, porque no fundo já possuímos este mapa, o problema é que renegamos este conhecimento. E a consciência usa o corpo como uma interface para mandar os sinais de que algo está errado, de que devemos prestar atenção em algo que está acontecendo e que não estamos nos conectando com aquilo.
As dores, um mal-estar repentino, uma fraqueza, um cansaço, tudo isso são sinais enviados pela própria consciência e manifestados no corpo. A própria consciência nos avisa, nem tudo é espiritual. Nestes momentos, não adianta buscar uma fuga para o imaterial, pois o que está sendo exigido no momento é uma atenção para o próprio corpo.
Então, nunca é demais relembrar o que já sabemos, revisitar a nossa própria biblioteca interna, como o mestre já ensinou, o seu corpo é o seu templo e é dentro dele que as realizações são desenvolvidas. A sua consciência envia sinais e pulsos elétricos que atuam no corpo procurando recalibrar as frequências, mas se houver uma desarmonia na própria estrutura física, isso reverberará de alguma forma em dor, espasmos, contrações e mal-estar.
Escuridão interna
Estas são mensagens enviadas pela consciência, não são boas, não são ruins, são apenas impulsos elétricos e o próprio corpo encarrega de interpretar esses sinais, então, eventualmente, em determinados momentos é preciso retroceder, abraçar esta escuridão, este vazio como algo que faz parte da própria existência, procurar entendê-lo, dialogar com ele, como se fosse uma verdadeira entidade.
Mas um aviso, não entre nesta frequência despreparado, ela exigirá muita energia e concentração e qualquer deslize se torna uma verdadeira angústia; o ser quer sair daquele espaço vazio, mas é tudo o que existe. Quando ele abraça este espaço, quando ele integra este vazio com a sua própria essência, consegue restabelecer todas as funções do corpo. É um processo lento, mas eficaz.
Para tudo existem os limites e se forçar para o caminho da luz sem antes compreender o vazio e a própria escuridão que compõe este ser, é um erro muito grande. É como se deixássemos partes de nós para trás, mas sempre teremos que voltar para recuperá-las, pois tudo é energia.
Esta também é uma energia, apenas em uma frequência diferente, na maioria das vezes mal entendida, nominada como o lado negro, o lado escuro, algo maléfico, mas não é assim. Este vazio, este lado escuro tem muito a ensinar, mas hoje reconheço a dificuldade de extrair qualquer informação deste lugar.
Meu próprio corpo rejeitou esta consciência e quando já estava para desistir desta conexão, percebi que estava indo para o lado errado e retrocedi. Fiz uma breve análise da última semana, muitos pensamentos que passaram pela minha mente ainda estavam incomodando o meu campo. Porque o corpo é uma verdadeira bateria, ele vai acumulando energia para determinados momentos, mas há horas que ele entra em verdadeiro curto-circuito, surgem as confusões mentais, os devaneios.
Mas hoje um ser superior me disse, com essas palavras: vocês são o nosso estado alterado de consciência, quando nos buscam, nós fazemos o mesmo processo para buscar vocês. Quando se conectam a nossa vibração, nós estamos também em estado alterado para manter esta conexão ativa. Vocês são o nosso estado alterado de consciência, pois assim como é em cima, é embaixo.
Quando percebemos que buscamos estados alterados de consciência para uma reconexão com o eu maior, não percebemos que ele realiza o mesmo processo para estabelecer esta conexão, pois nós somos eles de alguma forma, apenas estamos presos na matéria e no corpo, somente assim podemos experimentar os 5 sentidos.
Não é uma questão de racionalizar o que eles representam, mas sim de extrair deles ensinamentos, mensagens, informação. Nada acontece por acaso.
Quando se sentir sozinho, perdido ou desamparado e desconectado, lembre-se que isso nunca acontece, há sempre uma fagulha de conexão com você mesmo.
Retroceder
Então, não é um demérito dar um passo atrás, ao contrário, é um sinal da verdadeira evolução. Retroceder para se reorganizar e se fortalecer para que amanhã possamos seguir novamente o caminho, mas de uma forma integral, levando junto nosso lado sombra, ele existe para nos mostrar nossas limitações, nossos defeitos e imperfeições, mas não como uma forma de punição, mas como uma forma de clareza.
Descuidar do corpo físico é fechar as portas para o próprio campo espiritual e evolutivo, pois é com ele que temos nossas experiências, em que pese a todo momento nossa mente tente nos enganar, e alguns ensinamentos também fazem isso – quando dizem que o corpo não importa, o que importa é a alma, o espírito – mas quem somos nós sem o corpo? Quais experiências podemos experienciar na matéria sem o corpo?
Então, sim, é verdadeiro o postulado “mente sã em corpo são”. Assim, não procure entender o todo sem antes entender as partes que compõe este todo. Não se pode jogar xadrez sem conhecer a função de cada peça no tabuleiro, assim é com a vida; não se pode querer demais a luz sem compreender a sombra que a cerca, e usar o tempo a seu favor, não contra.
A variável tempo nos ensina que nesta existência temos uma limitação, o próprio corpo físico irá parar, se desligará, é um processo natural, é quando a bateria se descarrega. Mas devemos aproveitar o tempo da melhor forma possível, agindo quando devemos agir, silenciando quando devemos silenciar e digerir todo o conhecimento que já nos foi dado, antes de sair em busca de novos conhecimentos.
Devemos processar as informações, fazer com que reverberem, transformando nossas próprias ações, pois quando assimilamos isso em forma de ações, podemos dar um novo passo, estando cientes de que o vazio e a sombra estarão juntos, pois mesmo quando nos colocamos diante do sol, com toda clareza de um dia iluminado, nossa sombra estará lá refletida no chão.
Partes do nosso caráter estão nela, tudo aquilo que empurramos e que guardamos no nosso inconsciente está dentro desta sombra. É preciso entendê-la.
Sim, as vezes é importante chorar, colocar para fora aquela angústia que está dentro de nossa sombra, pois depois deste processo uma alegria toma conta da nossa consciência, é como uma renovação, uma renovação de votos, aqueles votos que fazemos com nós mesmos. Este espaço não pode ser penetrado por nenhum outro ser, por nenhuma outra entidade, por maior que seja sua frequência, somente nós podemos revisitá-lo, somente nós podemos conversar com ele, aceitá-lo como parte desta existência e levá-lo conosco para a luz.
Assim como você não briga com ninguém, você não deve brigar com a sua sombra. E quando dizem que ela se alimenta de ódio, de ciúmes e inveja, de emoções negativas, isso não é verdade, quem se alimenta disso são vocês mesmos, ela apenas acumula essas emoções e funciona como o oposto do seu magnetismo.
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Ela é um verdadeiro alçapão que guarda todos esses aspectos e emoções negativas, preservando a sua outra parte, pois ela sabe que você não pode lidar com tudo ao mesmo tempo, então aquilo se torna o seu inconsciente. Mas, eventualmente, você é exigido a mexer nessa gaveta, a abrir este cofre, a conversar com este vazio e mergulhar nesta sombra. Ela sempre avisará quando algo não está de acordo, quando se faz necessário um retrocesso e uma reflexão.
Ela guarda aquilo que não foi digerido, mas não internamente, apenas até o momento que ela percebe que você já tem condições e ferramentas para lidar com aquilo. Então, aquilo é exposto, de uma forma ou de outra se manifesta, aquela energia sobe e pode tanto se manifestar no seu próprio corpo, como no mundo externo.
Acontecimentos que você dirá que não sabe o motivo, o porque aquilo aconteceu, são explicados por estes sentimentos, emoções e informações que estão guardadas na sua sombra e quando você se volta para ela, consegue entender que tudo que está acontecendo neste momento é um reflexo da sua parte consciente e da sua parte inconsciente.
Procure trabalhar com ela como se fosse sua parceira, ela é seu verdadeiro amigo interno, ela não é a expressão do mal, ela é apenas o reservatório do incompreendido. No fim, ela irá com você para qualquer outra dimensão que você vá. Então é preciso que você faça as pazes com ela, pois a jornada é longa e quando você compreende isso, vê que não existem imprevistos.
Equilibrando a balança
Para todo questionamento que se faça, a resposta já está preparada em si mesmo, o problema é: você está pronto? Está pronto para olhar para si mesmo? Como este ser bipolar e bipartido, como este ser binário de luz e sombra, de alegria e tristezas, de realizações e decepções, de encontros e desencontros, de ganhos e perdas… Essa é a vida, é uma balança buscando o equilíbrio, mas é você que coloca os pesos, aquilo que você dá muita importância e relevância, adquire mais peso nesta balança.
Então perceba que é você que traz o equilíbrio da balança, não é nenhum ser, nenhuma entidade externa, nenhum mestre de outra dimensão, é você. Você é o seu próprio mestre nesta jornada, foi por isso que você veio, para se realizar em si mesmo, e não para os outros nem pelos outros, pois quando se atinge este estado de consciência, as pessoas que estão a sua volta são atingidas por esta energia positiva e começam a agir de forma diferente.
É como o experimento dos 100 macacos, nem todos precisam experienciar as mesmas coisas, muitos mudarão apenas observando as pessoas a sua volta, este é o verdadeiro mestre. É um mestre do exemplo, não é o mestre da palavra.
E neste nível de consciência, o ser não reclama, pois ele sabe que tudo aquilo que está a sua volta, foi ele mesmo que atraiu, foi o seu próprio magnetismo consciente, clarificado, que lhe proporcionou estar hoje aonde se encontra. Ele não se vê melhor que os outros, ele apenas se vê como alguém que pode colaborar com os outros. Também não se vê inferior aos outros, apenas vê que pode aprender com os outros.
Isto é a verdadeira humildade, pois humildade não é pobreza, sendo esta escassez.
É preciso lembrar o que os mestres disseram hoje, que nós somos o estado alterado de consciência deles, não somos menos, nem mais, somos apenas uma parte do processo.
E o que este contato com o vazio e a sombra interna revelou? Que é preciso entender as informações, digeri-las, não projetar gerando ansiedade e nem se resignar na depressão, pois a tristeza é apenas o outro lado da alegria, assim como a fome é o outro lado da saciedade, assim também a sombra é o outro lado da luz. Não estão separados, eles se complementam e dessa interação de luz e sombra, surge uma consciência mais clarificada.
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