
O pai e a mãe, o masculino e o feminino, num aparente antagonismo que, na verdade, revela a completude da força criadora do universo; a força do masculino e a criatividade do feminino. O que, a princípio, parece uma disputa, se revela como uma dança cósmica, uma interação de opostos. Eles estão sempre buscando o equilíbrio, mas isso nunca é conseguido, porque este equilíbrio seria a própria anulação do processo criador.
Nós podemos entender essas energias como arquétipos, sintetizando suas qualidades e, por que não, os defeitos, buscando uma razão para a própria existência. Mas estamos dentro de um processo e alguns o veem como um processo de renúncia, “expandir a consciência exige renúncia”, mas isso é uma contradição. Renunciar ao que, se nada disso existe? Então, não é uma renúncia, é uma redescoberta.
Alguns veem este processo com muita dificuldade, porque acreditam que precisam abandonar, renunciar, soltar, mas, internamente, não é isso que acontece. Porque este é um processo de integração do micro com o macro, do pai com a mãe, do masculino com o feminino, então é sempre um processo de soma.
É neste momento que muitos acabam desistindo, uns porque acreditam que têm que largar, e outros porque acreditam que não podem ser maiores que o próprio Criador.
Mas vocês devem ver isso apenas como um processo de reabertura, de religação. Não é uma luta, não é uma disputa entre o material e o imaterial, entre as conquistas e as realizações. Não é um antagonismo entre o ter e o ser, é ver isto como uma projeção. Nunca existiu e nunca houve o ter, mas sempre existiu e houve o ser.
É neste ponto que muitos buscadores se detém, sempre correndo atrás de informações, mas quando voltam para si mesmos veem que nada mudou, a realidade externa continua a mesma, os mesmos padrões se repetindo. Alguns entendem que precisam se isolar disso, como uma fuga, outros acreditam que não há solução, a não ser que um processo externo e planetário eleve a consciência da massa.
Mas, neste momento, em que todo trabalho e toda busca, todas as revelações, todos os acessos te mostram uma outra realidade que não corresponde a esta realidade externa – as pessoas continuam se matando, se enganando, se odiando – aonde está a evolução? Aonde está o resultado do meu processo? E então há uma pausa, muitos desistem neste momento porque não veem resultados. Entretanto, o que você vê é uma projeção do seu próprio mundo interior.
Sendo contribuição
O verdadeiro buscador não busca algo externamente, não está atrás da 5a dimensão, está procurando ser contribuição, seja na 3D, na 4D, aonde quer que ele esteja, tem a consciência de que precisa ser contribuição. Porque ele não está buscando o equilíbrio entre o pai e a mãe, entre o masculino e o feminino, mas está apenas brincando com essas energias, fazendo-as circular e este movimento elíptico o leva para outros estados de consciência.
Ele não espera a mudança externa, ele busca a integração do seu próprio eu com a sua realidade. Ele é a sua própria realidade, a sua própria motivação, ele é a própria razão da sua existência; manipular as forças do pai e da mãe, da rigidez e da temperança, da força e da criatividade, do uno e da multiplicidade.
Ele sabe que este não é um processo com começo, meio e fim, sabe que este é um processo eterno, constante e vê nas suas realizações apenas memórias e, eventualmente, as revisita porque são a sua fundação, a sua sustentação, mas também não se apega a isso.
Ele não está buscando informações, não está buscando explicações, não está esperando uma Nova Jerusalém, pois sabe que isso tudo já existe num estado latente de pulsação da energia, do atrito entre o pai e a mãe.
Este não é um processo abstrato, internamente é concreto, real, mas quando se procura projetar para o mundo externo perde o sentido. Então compreende que o eterno vazio está fora e que tudo aquilo que acredita, vive e compartilha está dentro. Neste momento, ele trabalha dentro dele mesmo e espelha esses arquétipos no masculino e no feminino, não só no equilíbrio e harmonia, mas também no caos e, dessa forma, se revela a sua frente a realidade mais próxima da ideia da criação.
Entretanto, ele nunca vai alcançar esta ideia, só pode senti-la e, ao sentir, se transforma num contribuidor espelhando esta realidade. Ele se vê num verdadeiro movimento entre dois polos da mesma energia; sente a força e sente o poder da criação. Já não tem desejos, pois os desejos fazem parte do pai, fazem parte do corpo, mas agora ele tem a determinação.
Ele sabe que precisa cuidar da criação, como uma retribuição ao esforço da origem, como um guardião, uma mãe – esse é o outro lado da energia – mas não por obrigação, simplesmente ele quer ser contribuição. Porque, agora, já não vislumbra os arquétipos fora dele e experimenta esses arquétipos e atributos de forma interna. Ele se sente parte da trindade, sente essa triangulação entre o pai, a mãe e o filho. Ele não vê isso como uma metáfora, vê isso como uma expressão da consciência maior.
Ele não é um devoto, é um participante da criação. Ele não é inferior, é supremo internamente e sabe que não precisa renunciar nada, apenas agrega e, fazendo isso, se torna o próprio universo.
Grãos de areia
Agora, ele vê que tudo se torna tão pequeno; todas as dúvidas, todos os questionamentos são grãos de areia que escorrem pelos seus dedos. Um dia, ele viu esses grãos como montanhas e sentiu a dificuldade em superá-los, mas foi ele mesmo que projetou, que deu vida a tudo isso.
Entretanto, agora ele ri da sua própria ignorância, da sua falta de conhecimento e vê o vento levando esses grãos, minúsculos, ínfimos e entende que isso não era relevante, era só uma peça, uma encenação, um segundo no relógio do Criador, um piscar de olhos do universo.
E, neste momento, ele vê beleza em tudo isso, vê o quadro completo: uma praia de areias brancas e águas azuis, o sol batendo na areia, esses grãos como estrelas compondo todo o cenário e se vê maior que isso.
Agora, ele acredita na sua própria grandeza interna, já não espera mais pela luz, pela ascensão, ele já é isso, mas sempre foi. Ele nunca esteve apartado, sabe que sempre fez parte de algo maior, que com palavras não consegue expressar, mas sente.
Ele sente toda energia do raio dourado correndo pelo seu corpo e não se vê mais como um problema, mas como a solução.
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